..." uma solução prática para a soluçao de áreas devastadas seria a reciclagem da terra e da água,
em termos da "arte da terra".(...) A arte pode torna-se um recurso que faz a mediação entre o
ecologista e o industrialista.A ecologia e a indústria não são vias de mão única.Ao contrário,podem
se transformar em caminhos cruzados.A arte pode proporcionar a dialética necessária entre eles.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Das Coisas Nascem As Coisas /(trechos) Bruno Munari.
O luxo é a manifestação da riqueza grosseira que quer impressionar quem permaneceu pobre.
É a manifestação da importância que se dá à exterioridade e revela a falta de interesse por tu-
do o que seja elevação cultural.é o triunfo da aparência sobre a substância.O luxo é uma necessidade para muitas pessoas que querem ter um sentimento de domínio sobre outros.Mas os outros,se são pessoas instruídas,sabem que o luxo é fingimento;se são ignorantes,admiram e talvez até invejem os que vivem no luxo.Mas a quem interessa a admiração dos ignorantes?
Aos estúpidos,talvez.
O luxo é,pois,o uso errado de materiais dispendiosos sem melhoria de funções.É,portanto,
uma estúpidez.Naturalmente,o luxo esta ligado à arrogância e ao domínio sobre os outros.
Está ligado a um falso sentido de autoridade.Atualmente,porém,entre as pessoas sãs,procura-se o conhecimento da realidade das coisas e não a aprarência.Á medida que diminui o analfabetismo
cai a autoridade aparente e,em lugar da autoridade imposta,surge a autoridade reconhecida.No
passado ,um cretino sentado num trono enorme podia,tavez,impressionar,mas hoje, e sobretudo amanhã,espera-se que não seja mais assim.E suma,quero dizer que o luxo não é uma questão de design..
É a manifestação da importância que se dá à exterioridade e revela a falta de interesse por tu-
do o que seja elevação cultural.é o triunfo da aparência sobre a substância.O luxo é uma necessidade para muitas pessoas que querem ter um sentimento de domínio sobre outros.Mas os outros,se são pessoas instruídas,sabem que o luxo é fingimento;se são ignorantes,admiram e talvez até invejem os que vivem no luxo.Mas a quem interessa a admiração dos ignorantes?
Aos estúpidos,talvez.
O luxo é,pois,o uso errado de materiais dispendiosos sem melhoria de funções.É,portanto,
uma estúpidez.Naturalmente,o luxo esta ligado à arrogância e ao domínio sobre os outros.
Está ligado a um falso sentido de autoridade.Atualmente,porém,entre as pessoas sãs,procura-se o conhecimento da realidade das coisas e não a aprarência.Á medida que diminui o analfabetismo
cai a autoridade aparente e,em lugar da autoridade imposta,surge a autoridade reconhecida.No
passado ,um cretino sentado num trono enorme podia,tavez,impressionar,mas hoje, e sobretudo amanhã,espera-se que não seja mais assim.E suma,quero dizer que o luxo não é uma questão de design..
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
A bunda,que engraçada / Carlos Drummond de Andrade
A bunda,que engraçada.
Está sempre sorrindo,numca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo.A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora--murmura a bunda -- esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio.Anda por si
na cadência mimosa,no milagre
de ser duas em uma,plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se.Montanhas
avolumam-se,descem.Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda.Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda.
redunda.
Está sempre sorrindo,numca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo.A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora--murmura a bunda -- esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio.Anda por si
na cadência mimosa,no milagre
de ser duas em uma,plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se.Montanhas
avolumam-se,descem.Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda.Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda.
redunda.
Epígrafe / Manuel Bandeira
Sou bem-nascido.Menino,
Fui,como os demais,feliz.
Depois,veio o mau destino
E fez de mim o que quis.
Veio o mau gênio da vida,
Rompeu em meu coração,
Levou tudo de vencida,
Rugiu como um furacão,
Turbou,partiu,abateu,
Queimou sem razão nem dó--
Ah,que dor!
Magoado e só,
--Só-- meu coração ardeu.
Ardeu em gritos dementes
Na sua paixão sombria...
E dessas horas ardentes
Ficou esta cinza fria.
--Esta pouca cinza fria...
Fui,como os demais,feliz.
Depois,veio o mau destino
E fez de mim o que quis.
Veio o mau gênio da vida,
Rompeu em meu coração,
Levou tudo de vencida,
Rugiu como um furacão,
Turbou,partiu,abateu,
Queimou sem razão nem dó--
Ah,que dor!
Magoado e só,
--Só-- meu coração ardeu.
Ardeu em gritos dementes
Na sua paixão sombria...
E dessas horas ardentes
Ficou esta cinza fria.
--Esta pouca cinza fria...
´Na história do nosso amor/ Yueda Amichai
Na história do nosso amor,um foi sempre
Uma tribo nômade,outro uma nação em seu/
próprio solo.
Quando trocamos de lugar,tudo tinha acabado.
O tempo passará por nós,como paisagens
Passam por trás de atores parados em suas/
marcas
Quando se roda um filme.
As palavras
Passarão por nossos lábios, até as lágrimas
Passarão por nossos olhos.
O tempo passará
Por cada um em seu lugar.
E na geografia do resto de nossas vidas,
Quem será uma ilha e quem uma península
Ficará claro pra cada um de nós no resto de/
nossas vidas
Em noites de amor com outros.
Uma tribo nômade,outro uma nação em seu/
próprio solo.
Quando trocamos de lugar,tudo tinha acabado.
O tempo passará por nós,como paisagens
Passam por trás de atores parados em suas/
marcas
Quando se roda um filme.
As palavras
Passarão por nossos lábios, até as lágrimas
Passarão por nossos olhos.
O tempo passará
Por cada um em seu lugar.
E na geografia do resto de nossas vidas,
Quem será uma ilha e quem uma península
Ficará claro pra cada um de nós no resto de/
nossas vidas
Em noites de amor com outros.
Sensação/ Arthur Rimbaud
Pelas noites azuis de verão , irei em atalhos sob a lua,
picotado pelos trigos , pisar a grama pequena:
Sonhador , sentirei nos pés o frescor que acena.
Deixarei o vento banhar minha cabeça nua.
Não falarei, não pensarei em nada sequer:
Mas me subirá na alma o amor soberano,
E irei longe , bem longe , feito um cigano,
Pela Natureza--- feliz como se estivesse com uma mulher.
picotado pelos trigos , pisar a grama pequena:
Sonhador , sentirei nos pés o frescor que acena.
Deixarei o vento banhar minha cabeça nua.
Não falarei, não pensarei em nada sequer:
Mas me subirá na alma o amor soberano,
E irei longe , bem longe , feito um cigano,
Pela Natureza--- feliz como se estivesse com uma mulher.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
A MENSTRUAÇÃO,QUANDO NA CIDADE PASSAVA HERBERTO HELDER
A menstruação,quando na cidade passava
o ar.As raparigas respirando,comendo figos -- e a menstruação quando na cidade
corria o tempo pelo ar.
Eram cravos na neve.As raparigas
riam,gritavam -- e as figueiras soprando de dentro
os figos,com seus pulmões de esponja
branca.E as raparigas
comiam cravos pelo ar.
E elas riam na neve e gritavam:era
o tempo da menstruação.
As maças resvalavam na casa.
Alguém falava: neve.A noite vinha
partir a cabeça das estátuas,e as maças
resvalavam no telhado--alguém
falava;sangue.
Na casa,elas riam-- e a menstruação
corria pelas cavernas brancas das esponjas,
e partia a cabeça das estátuas.
Cravos--era alguém que falava assim.
E as raparigas respirando,comendo figos
na neve
Alguém falava:maças.E era o tempo.
O sangue escorria dos pescocços de granito,
a criança abatia a boca negra
sobre a neve nos figos--e elas gritavam
na sombra da casa.
Alguém falava:sangue,tempo.
As figueiras sopravam no ar que
corria,as máquinas amavam.E um peixe
percorrendo,como uma antiga palavra
sensível,a página desse amor.
E alguém falava:é a neve.
As raparigas riam dentro da menstruação
comendo neve.As cabeças das
estátuas estavam cheias de cravos,
e as crianças abatiam a boca negra sobre
os gritos.A noite vinha pelo ar,
na sombra resvalavam as maças.
E era o tempo.
E elas riam no ar,comendo
a noite,
alimentado-se de figos e de neve.
E alguém falava: crianças.
E a menstruação escorria em silêncio--
na noite,na neve--
espremida na esponjas brancas,lá na noite
das raparigas
que riam na sombra da casa,resvalando,
comendo cravos.E alguém falava:
é um peixe percorrendo a página de um amor
antigo.e as raparigas
gritavam.
As vacas então espreitando,em cujos
focinhos o lume em silêncio se consumia.
Pelas janelas os violinos
passavam pelo ar.E a menstruação na raparigas
escorria pelas sombras,e elas
gritavam e comiam areia.Alguém falava:
fogo.E as vacas passavam pelos violinos.
E as janelas em silêncio escorriam
o seu fogo.E as admiráveis
raparigas cantavam sua canção,como
uma palavra antiga escorrendo
numa página pela neve,
coroada de figos.E no fogo as crianças
eram tocadas pelo tempo da menstruação.
Alimentavam-se unicamente de figos e de areia.
E pelo tempo fora,
riam-- e a neve cobria a sua página de tempo,
e as vacas resvalavam na sombra.
Em silêncio o seu lume
escorria das esponjas.A menstruação
partia a cabeça dos violinos.
As raparigas,cantando as suas crianças,
comiam figos.
A noite comia areia.
E eram cravos nas cavernas brancas.
Menstruação--falava alguém.O ar passava--
e pela noite,em silêncio,
a menstruação escorria pela neve.
o ar.As raparigas respirando,comendo figos -- e a menstruação quando na cidade
corria o tempo pelo ar.
Eram cravos na neve.As raparigas
riam,gritavam -- e as figueiras soprando de dentro
os figos,com seus pulmões de esponja
branca.E as raparigas
comiam cravos pelo ar.
E elas riam na neve e gritavam:era
o tempo da menstruação.
As maças resvalavam na casa.
Alguém falava: neve.A noite vinha
partir a cabeça das estátuas,e as maças
resvalavam no telhado--alguém
falava;sangue.
Na casa,elas riam-- e a menstruação
corria pelas cavernas brancas das esponjas,
e partia a cabeça das estátuas.
Cravos--era alguém que falava assim.
E as raparigas respirando,comendo figos
na neve
Alguém falava:maças.E era o tempo.
O sangue escorria dos pescocços de granito,
a criança abatia a boca negra
sobre a neve nos figos--e elas gritavam
na sombra da casa.
Alguém falava:sangue,tempo.
As figueiras sopravam no ar que
corria,as máquinas amavam.E um peixe
percorrendo,como uma antiga palavra
sensível,a página desse amor.
E alguém falava:é a neve.
As raparigas riam dentro da menstruação
comendo neve.As cabeças das
estátuas estavam cheias de cravos,
e as crianças abatiam a boca negra sobre
os gritos.A noite vinha pelo ar,
na sombra resvalavam as maças.
E era o tempo.
E elas riam no ar,comendo
a noite,
alimentado-se de figos e de neve.
E alguém falava: crianças.
E a menstruação escorria em silêncio--
na noite,na neve--
espremida na esponjas brancas,lá na noite
das raparigas
que riam na sombra da casa,resvalando,
comendo cravos.E alguém falava:
é um peixe percorrendo a página de um amor
antigo.e as raparigas
gritavam.
As vacas então espreitando,em cujos
focinhos o lume em silêncio se consumia.
Pelas janelas os violinos
passavam pelo ar.E a menstruação na raparigas
escorria pelas sombras,e elas
gritavam e comiam areia.Alguém falava:
fogo.E as vacas passavam pelos violinos.
E as janelas em silêncio escorriam
o seu fogo.E as admiráveis
raparigas cantavam sua canção,como
uma palavra antiga escorrendo
numa página pela neve,
coroada de figos.E no fogo as crianças
eram tocadas pelo tempo da menstruação.
Alimentavam-se unicamente de figos e de areia.
E pelo tempo fora,
riam-- e a neve cobria a sua página de tempo,
e as vacas resvalavam na sombra.
Em silêncio o seu lume
escorria das esponjas.A menstruação
partia a cabeça dos violinos.
As raparigas,cantando as suas crianças,
comiam figos.
A noite comia areia.
E eram cravos nas cavernas brancas.
Menstruação--falava alguém.O ar passava--
e pela noite,em silêncio,
a menstruação escorria pela neve.
Lavoura Arcaica(trecho) / Raduan Nassar
...
"ela não contou pra ninguém da tua partida;naquele dia,na hora do almoço,cada um de nós sentiu mais que o outro,na mesa,o peso de tua cadeira vazia;mas ficamos e de olhos baixos,a mãe fazendo os nossos pratos,nenhum de nós ousando perguntar pelo teu paradeiro;e foi uma tarde arrastada a nossa tarde de trabalho com o pai,o pensamento ocupado com nossas irmãs em casa,perdidas entre os afazeres na cozinha e os bordados na varanda,na máquina de costura ou pondo ordem na despensa;não importava onde estivessem,elas ja não seriam as mesmas nesse dia,enchendo como sempre a casa de alegria,elas haveriam de estar no abandono e desconforto que sentiam;era preciso que voce estivesse lá,André,era preciso isso;e era preciso ver o pai trancado no seu silêncio: assim que terminou que terminou o jantar,deixou a mesa e foi pra varanda;ninguém viu o pai se recolher,ficou ali junto da balaustrada,de pé,olhando não se sabe o que na noite escura;só na hora de deitar,quando entrei no teu quarto e abri o guarda-roupa e puxei as gavetas vazias,só então compreendi,como irmão mais velho,o alcance do que se passava:tinha começado a desunião da família"...
"ela não contou pra ninguém da tua partida;naquele dia,na hora do almoço,cada um de nós sentiu mais que o outro,na mesa,o peso de tua cadeira vazia;mas ficamos e de olhos baixos,a mãe fazendo os nossos pratos,nenhum de nós ousando perguntar pelo teu paradeiro;e foi uma tarde arrastada a nossa tarde de trabalho com o pai,o pensamento ocupado com nossas irmãs em casa,perdidas entre os afazeres na cozinha e os bordados na varanda,na máquina de costura ou pondo ordem na despensa;não importava onde estivessem,elas ja não seriam as mesmas nesse dia,enchendo como sempre a casa de alegria,elas haveriam de estar no abandono e desconforto que sentiam;era preciso que voce estivesse lá,André,era preciso isso;e era preciso ver o pai trancado no seu silêncio: assim que terminou que terminou o jantar,deixou a mesa e foi pra varanda;ninguém viu o pai se recolher,ficou ali junto da balaustrada,de pé,olhando não se sabe o que na noite escura;só na hora de deitar,quando entrei no teu quarto e abri o guarda-roupa e puxei as gavetas vazias,só então compreendi,como irmão mais velho,o alcance do que se passava:tinha começado a desunião da família"...
Diante da Casa/Kostantinos Kaváfis
Ontem,andando por um bairro
longe do centro,passei diante da casa
onde eu entrava quando muito jovem.
Ali se apoderara do meu corpo Amor
com sua força maravilhosa.
E ontem,
enquanto eu percorria o caminho de outrora,
eis que se revestiram do encanto do amor
as lojas,as calçadas,cada pedra,
e os muros,e as janelas,e os balcões;
nada,nada de mau ali ficara.
longe do centro,passei diante da casa
onde eu entrava quando muito jovem.
Ali se apoderara do meu corpo Amor
com sua força maravilhosa.
E ontem,
enquanto eu percorria o caminho de outrora,
eis que se revestiram do encanto do amor
as lojas,as calçadas,cada pedra,
e os muros,e as janelas,e os balcões;
nada,nada de mau ali ficara.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
É TÃO POUCO/ Emily Dickinson
Os que estão morrendo,amor,
Precisam de tão pouco:
um copo d'água,o rosto
Discreto de uma flor.
Uma lágrima,talvez um Leque,
E a certeza que nenhuma cor
do Arco-Íris perceba
Q uando voce for.
Precisam de tão pouco:
um copo d'água,o rosto
Discreto de uma flor.
Uma lágrima,talvez um Leque,
E a certeza que nenhuma cor
do Arco-Íris perceba
Q uando voce for.
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