segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A bunda,que engraçada / Carlos Drummond de Andrade

A bunda,que engraçada.
Está sempre sorrindo,numca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo.A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora--murmura a bunda -- esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio.Anda por si
na cadência mimosa,no milagre
de ser duas em uma,plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se.Montanhas
avolumam-se,descem.Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda.Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda.
redunda.

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