A menstruação,quando na cidade passava
o ar.As raparigas respirando,comendo figos -- e a menstruação quando na cidade
corria o tempo pelo ar.
Eram cravos na neve.As raparigas
riam,gritavam -- e as figueiras soprando de dentro
os figos,com seus pulmões de esponja
branca.E as raparigas
comiam cravos pelo ar.
E elas riam na neve e gritavam:era
o tempo da menstruação.
As maças resvalavam na casa.
Alguém falava: neve.A noite vinha
partir a cabeça das estátuas,e as maças
resvalavam no telhado--alguém
falava;sangue.
Na casa,elas riam-- e a menstruação
corria pelas cavernas brancas das esponjas,
e partia a cabeça das estátuas.
Cravos--era alguém que falava assim.
E as raparigas respirando,comendo figos
na neve
Alguém falava:maças.E era o tempo.
O sangue escorria dos pescocços de granito,
a criança abatia a boca negra
sobre a neve nos figos--e elas gritavam
na sombra da casa.
Alguém falava:sangue,tempo.
As figueiras sopravam no ar que
corria,as máquinas amavam.E um peixe
percorrendo,como uma antiga palavra
sensível,a página desse amor.
E alguém falava:é a neve.
As raparigas riam dentro da menstruação
comendo neve.As cabeças das
estátuas estavam cheias de cravos,
e as crianças abatiam a boca negra sobre
os gritos.A noite vinha pelo ar,
na sombra resvalavam as maças.
E era o tempo.
E elas riam no ar,comendo
a noite,
alimentado-se de figos e de neve.
E alguém falava: crianças.
E a menstruação escorria em silêncio--
na noite,na neve--
espremida na esponjas brancas,lá na noite
das raparigas
que riam na sombra da casa,resvalando,
comendo cravos.E alguém falava:
é um peixe percorrendo a página de um amor
antigo.e as raparigas
gritavam.
As vacas então espreitando,em cujos
focinhos o lume em silêncio se consumia.
Pelas janelas os violinos
passavam pelo ar.E a menstruação na raparigas
escorria pelas sombras,e elas
gritavam e comiam areia.Alguém falava:
fogo.E as vacas passavam pelos violinos.
E as janelas em silêncio escorriam
o seu fogo.E as admiráveis
raparigas cantavam sua canção,como
uma palavra antiga escorrendo
numa página pela neve,
coroada de figos.E no fogo as crianças
eram tocadas pelo tempo da menstruação.
Alimentavam-se unicamente de figos e de areia.
E pelo tempo fora,
riam-- e a neve cobria a sua página de tempo,
e as vacas resvalavam na sombra.
Em silêncio o seu lume
escorria das esponjas.A menstruação
partia a cabeça dos violinos.
As raparigas,cantando as suas crianças,
comiam figos.
A noite comia areia.
E eram cravos nas cavernas brancas.
Menstruação--falava alguém.O ar passava--
e pela noite,em silêncio,
a menstruação escorria pela neve.
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