quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O LUTO NO SERTÃO / JOÃO CABRAL DE MELO NETO

Pelo Sertão não se te como
não se viver sempre enlutado;
lá o luto não e de vestir ,
é de nascer com, luto nato.

Sobe de dentro, tinge a pele
de um fosco fulo: é quase raça;
luto levado toda a vida
e que a vida empoeira e desgasta.

E mesmo o ururbu que ali exerce,
negro tão puro noutras praças,
quando no SErtão usa a batina
negra-fouveiro, pardavasca.

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