segunda-feira, 16 de maio de 2011

Em ti a terra / Pablo Neruda

Pequena
rosa,
rosa pequena.às vezes
diminuta e desnuda,
parece
que na minha mão
cabes,
que assim vou te agarrar
e te levar à boca,
porém,
de repente,
meus pés tocam teus pés e minha boca teus lábios,
cresceste,
sobem teus ombros como duas colinas,
e teus peitos passeiam por meu peito,
meu braço mal consegue rodear a delgada
linha de lua nova que tem tua cintura:
no amor como água de mar te desataste:
apenas meço os olhos mais extensos do ceú
e me curvo sobre tua boca para beijar a terra.

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