quarta-feira, 20 de julho de 2011

Da vez primeira em que me assassinaram/Mário Quintana

Da vez primeira que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que tinha.
Depois,de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...

E hoje,dos meus cadáveres,eu sou
O mais desnudo,o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela,amarelada...
Como o único bem que me ficou!

Vinde,corvos,chacais,ladrões de estrada!
Ah! desta mão.avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz,trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca.

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