sábado, 2 de março de 2013

ÁGUA FURTADA / Carlos Nejar

Fogo de Deus em ti,fogo insubmisso,
imoto,genital e semovente
com as estrelas,cornos,corvos,bichos,
junto ao curral celeste,entre as potentes

dominações de arcanjos.No indiviso:
eta água furtada adolescente,
o mundo.Desde a infância se pressente
humano ou que retorna ao paraíso,
queimado. Nem o choro,nem o riso

em odres carregados e se somem
no fogo em que vieram,seus parentes.
Que pode a eternidade contra o homem.?

ASILO SANTA LEOPOLDINA / LÊDO IVO


Todos os dias volto  a Maceió.
Chego nos navios desaparecidos,nos trens sedentos,nos aviões
                         cegos que só aterrizam ao anoitecer.
Nos coretos das praças brancas passeiam  caranguejos.
Entre as pedras das ruas escorrem rios de açùcar
fluindo docemente dos sacos armazenados  nos trapiches
e clareiam o sangue velho dos assassinados.
Assim que desembarco tomo o caminho do hospício.
N cidade em que meus ancestrais repousam em cemitérios 
                                    marinhos
só os loucos de minha infância continuam vivos e á minha espera.
Todos me reconhecem e me saúdam com grunhidos
e gestos obscenos ou espalhafatosos.
Perto,no quartel,a corneta que chia
separa o pôr-do-sol da noite estrelada.
Os loucos langorosos dançam e cantam entre as grades.
Aleluia! Aleluia! Além da piedade
a ordem do mundo fulge como uma espada.
E o vento do mar oceano enche os meus olhos de lágrimas. 

MOMENTO NUM CAFÉ. MANUEL BANDEIRA.

Quando o enterro passou Os homens que se achavam no café Tiraram o chapéu maquinalmente Saudavam os mortos distraídos Estavam todos volt...