Todos os dias volto a Maceió.
Chego nos navios
desaparecidos,nos trens sedentos,nos aviões
cegos que só aterrizam ao anoitecer.
Nos coretos das
praças brancas passeiam caranguejos.
Entre as pedras
das ruas escorrem rios de açùcar
fluindo docemente
dos sacos armazenados nos trapiches
e clareiam o
sangue velho dos assassinados.
Assim que
desembarco tomo o caminho do hospício.
N cidade em que
meus ancestrais repousam em cemitérios
marinhos
só os loucos de
minha infância continuam vivos e á minha espera.
Todos me reconhecem e me saúdam com grunhidos
e gestos obscenos ou espalhafatosos.
Perto,no quartel,a corneta que chia
separa o pôr-do-sol da noite estrelada.
Os loucos langorosos dançam e cantam entre as grades.
Aleluia! Aleluia! Além da piedade
a ordem do mundo fulge como uma espada.
E o vento do mar oceano enche os meus olhos de lágrimas.