sábado, 1 de março de 2014

ARTE DE ARMAR / GIBERTO MENDONÇA TELES

Com armas e bagagens
e algumas apólices
na armadura,

a(r)ma o teu próximo
parao melhor da viagem
nesta leitura:

há sempre um fósforo
na tua gual.

Arma os dois gumes
da repetição.
Arma o virunque
arma o teu cão.

Arma o arremesso,
arma o teu pulo,
arma o teu ermo
e o teu murmúrio.

Há sempre avesso
no teu mergulho.

Se queres a paz,
arma teu parabélum.
Se queres o pus,
olha para o belo
pavão de teus pés
neste ritmo velho:

ha sempre um juiz
de coice e martelo.

No meio da ponte pênsil
arma o alarma do teus cinco
sentidos.E arma o silêncio
do paradigma longínquo .

Arma o teu jogo de tênis,
arma o teu jogo de bingo,
arma os teus lances solenes
para a sessão de domingo.

Há sempre estirpe de fênix
na ponta de tua língua.

E arma o idílio das formas no teu pulso,
que há sempre uma armadilha no discurso.


MOMENTO NUM CAFÉ. MANUEL BANDEIRA.

Quando o enterro passou Os homens que se achavam no café Tiraram o chapéu maquinalmente Saudavam os mortos distraídos Estavam todos volt...