sábado, 17 de maio de 2014

ADÉLIA PRADO / COM LIÇENÇA POÉTICA

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta,anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Nao sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim,ora não,creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.Cumpro a sina.
Inauguro linhagens,fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.Eu sou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

MOMENTO NUM CAFÉ. MANUEL BANDEIRA.

Quando o enterro passou Os homens que se achavam no café Tiraram o chapéu maquinalmente Saudavam os mortos distraídos Estavam todos volt...