O cavalo atrelado descreve um círculo tortuoso,
cisma.Algo falta. Com beiços aguilhoados
pede mais e mais daquilo que ignora.
Pede com severidade de montanha
ou fulguração de deserto.
O abismo ingurgita água.
O sonho recém inicia.
Inclino o peito para evitar um arrecife.
Responde desde o fundo o som suspenso,
faz uma tenda de rede ondulante.
Voluta trás voluta sobrevoa frase interminável
para reter o ídolo que cai.
Estão espicaçando na bóia os mortos,
cetáceos de feltro verde.
Não era tão bela como pintam a sereia;
diáfana, no vítreo, passa e repassa
por único canal, tubo , sino submerso.
Perdido o trono por uma esfera de quartzo faiscante
sobre o mar, água volta à água
e quanto mais bebe, mais sedenta nada já,sereia
de papel em pélago cuja lãmina dobra
morta ou viva, sem saber.
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