Putaquiupariu! Três da tarde e eu aqui sentado esperando meu tempo
se esgotar. tempo de olhar a vida como as velas destes barcos à minha frente; estacionados,
vazios e com fedor de peixe. cadê o Dimas? três e quinze. três e dezessete! chega!!
Minha paciência não pode vazão aos ensinamentos de Confúcio. fodase Confúncio! começo
a caminhar no Sentido Centro Comercial de Angra dos Reis; cidade com história legal,
não vou contar não; vai ler para saber! As ruas são estreitas e de paralelepípedos
frios como meu sangue que desfila suave nas minhas veias finas e cansadas. tomar
café num boteco é outra parada. volto Pra escadaria da Igreja. cadê o
filhodaputa do Dimas? bom, vamos es-perar. minha vida toda é uma fila que não
anda. por que não posso esperar mais uns quinze minutos? três e meia..
filhodaputa. três e meia. num repente começo a olhar a rua que desce da lateral
esquerda da Igreja; Tem um colégio ali; mas com cara de convento. que porra é esta?
começo a olhar e ver a paisagem exuberante que escorre do Portão do colégio; pivetas
grandes, bem grandes mesmo naquele uniforme de saias azul-marinho de dobrinhas,
meias brancas e camisas brancas. caralho, uma mais gostosa que a outra. dane-se
o Dimas. levanto e dou uma ajeitada na bermuda multicor revejo meus pés imundos
igual a minha vida e; saio na direção da porta do colégio. vou contra o fluxo
e, passando pelas colegiais meu pau começa a ficar meio duro; será que é esta
roupa que instiga meu subconsciente de adolescente de punheteiro com os
catecismos do Zéfiro. paro no boteco. café.. e fico como aqueles urubus velhos
que perderam o comando do grupo e; ficam ali pairando no ar sobre a carniça; enquanto,
os mais jovens e fortes despedaçam o cadáver e o devoram. começo caminhar de
volta pra escadaria e, vou passando por elas no meio da rua; esbarro aqui; desculpe
meu bem. esbarro ali; perdão, minha linda.na escadaria fico sentado de costas
pra casa de Deus, quem sabe ele assim não vê o que estou fazendo. olhando o emaranhado
de barcos à minha frente todos naquela dança que vem coisa poraí; ou é só
barcos grandes desembarcando ou embarcando Criando aqueles saculejos e, os
barcos ancorados ao lado uns dos outros, se tocam como um ranger de dentes.. .
oi moço, esta voz aveludada que jamais vou esquecer tirou-me do meu devaneio e,
Continuou falando; ..você pode olhar isto—e mostrou seus dois livros e um
caderno e uma mochila—aqui pra mim, que vou ali do outro lado da pista pegar
uma lata de óleo no posto? Rapaz! Deus existe. ah. se existe. depois, fiquei
sabendo que tinha quase vinte; me vendo sentado ali com cara de pastel; veio me
inquirir se poderia deixar suas coisas—dois livros e um caderno e sua
mochila—sobre meus olhares, enquanto iria buscar uma lata de óleo vazia no
posto pra fazer seu trabalho de artes...e, pode deixar que olho e, olhei mesmo quando
ela curvou-se pra colocar seus pertences ao lado de meus pés descalços e
imundos e, vi aqueles peitinhos durinhos de biquinhos foscos igual vidro
leitoso; depositou tudo aos meus pés e começou à atravessar a pista; Meu Deus!
.senti o balanço daquelas nádegas duríssimas no mesmo ritmo dos barcos
ancorados a minha frente. que coisa enlouquecedora!. devia ser proibido
mulheres perfeitas de sainhas atravessar as ruas e pistas correndo: que
espetáculo revelador; a sincronia da beleza; o ápice do tesão é uma deliciosa
atravessando a rua dando aquela corridinha. Aqueles pulinhos... Meu Deus! fiquei
ali, estático, olhando ela pedir a lata de óleo pro cara do posto; que também
olhou com carinho pros seus peitinhos durinhos como ovos cozidos. branquinhos
branquinhos. pronto! voltou e começou a recolher suas coisas ao lado dos meus
pés.., meu instinto de tarado entra em ação; retiro meus óculos escuros e, como
se o desdém fosse obra minha, mando: vai fazer o que com esta lata? Olho as
pernas dela no maior desbaratino e; vejo seus pelinhos clarinhos numa fieira
joelho acima e, as pernas tão lisinhas que dá vontade de chorar pôr não poder
meter a mãos; meu pau exige que eu faça um inquérito e, segure ela ali ao meu
lado. Ah. a lata de óleo; e que vou fazer? ou melhor tentar fazer uma
luminária, pra ver se pego uma nota com a Professora de Artes, que é um pé no
saco. e pediu que a gente use coisas do lixo. bom, meu pau exige que me
pronuncie: eu trabalho com lixo, sabe, é só olhar pra mim e vai perceber que
sou parte deste lixo humano que trafêga com a vida cheia de avessos e a merda
toda. Olha você pega a lata e, peguei a lata da mão dela sem nenhuma resistência
e, claro. toquei de leve na seda que é a pele dela; como é teu nome: Cláudia!. Humberto,
a disposição...meu pau exige que eu seja gentil, educado e canalha o suficiente
pra não deixar esta delicia cremosa ir embora sem mais nem menos...olha, você
pega um abri-dor de latas e retira esta tampa aqui e, ela roça aquele bracinho de
maravilhoso de ninfa; no meu braço gasto, fino e queimado do sol e; Aí você
pega um martelo e bate estas rebarbas que vão ficar aqui, e; tocamos pontinhas
de dedos e; aí coroa, sabe; quando você tá doidão beijando aquela putinha perto
da rodoviária e, depois.. descobre que não era putinha, era um quase ela..
porra: foi assim que olhei pra cara do Dimas; que chegou e viu a cena ali na cara
dele e não acreditou. Tá tudo certo?? perguntei. e pelo meu tom de voz sentiu
que tinha que ir me esperar na lancha. este moleque trabalha comigo, fui
falando e olhando nos olhos dela, enquanto o Dimas seguia triste e sem ação pra
lancha. cinco minutos e já vou Falo como se mandasse qualquer porra; ele olha
pra trás, pra confirmar a cena que vê na escadaria e diz querendo ser cúmplice:
Peguei cinquenta dubom! arremato para o nosso bom entendimento: Legal, vamos
arrebentar no caminho de volta. no mar. Ela ,olha pra minha cara e sei que
entende do que falo, ri cúmplice, e aguarda minha explicação; você mora onde
ela pergunta num repente; na Ilha Grande. é mesmo? é sim. nossa Que legal, eu
sou nova aqui em Angra e não conheço, ainda, a Ilha Grande. pronto tá feito a
mandinga; meu pau exige que eu seja educa-do, cortês, anfitrião e tarado. Olha,
Cláudia, sabe o que você pode fazer: Meus olhos vão direito pros seios
duríssimos dela sem sutiã. Ah! uniforme enlouquecedor. você pode pegar a balsa
na sexta de manhã. amanhã. e ir lá pra Ilha ,assim; eu te mostro(meu pau duro, meu
pau duro)meus trabalhos e te ensino você fazer esta luminária e; olha ( em que
anfitrião espetacular me transformo) na Casa que moro tem lugar pra ficar.. que
naturalidade. Canalha.. Ela fica encantada com meu exagero de desprendimento e solicitude.
Ah. eu vou sim; perco o sentido da razão e fico imaginado esta deliciosa em Trajes
sumários andando dentro de casa. Meus Deus! E, continuo minhas explanações
sobre como a lata deve ser aberta, furada e a porra toda e, tocando suavemente
naquele bracinho imaculado. ficamos em pé; antes dou aquela caidinha de cabeça
pra frente tão manjada que não pensei em nada, só vi: aquela fieirinha de
pelinhos clarinhos subindo de suas coxas carnudas seguindo pra sua (imagino)
bucetinha maravilhosa; e vejo o que realmente é aquela piveta: Capa de
Revista!! Volto ao normal tentando ser o mais casual possível, tá feito então; amanhã
fico lá no cais te esperando na balsa da manhã. Ela pega a lata de óleo de
minha mão com uma suave delicadeza que fico trêmulo e, me olha com aquele olhar
de demônio que sabe que acende um inferno por onde passa; meu olhar de triunfo
é o mesmo de César ao saber que vai tascar a Cleópatra.. você disse que Tem
lugar pra fica na sua casa? nem respondo, meneio a cabeça como se o elmo
estivesse meio apertado e, com o sorriso dos canalhas estampado na cara quando
sabe que todas as exigências do teu pau serão Cumpridas. Vou levar meu
namorado! Você não tá ligado, na dor que é um mastro virar no meio de um
sudoeste e pegar na sua testa; foi mais ou menos isto que senti. gaguejei, sorri,
e disse que sim e; que estava tudo certo. pode levar ele(que afogo este
filhodaputa no rasinho) que tem lugar. Ela vem assim como aquela rajada de
vento que muda tua direção, mesmo você segurando o leme com as duas mãos e os
joelhos e, manda um beijo na minha cara com o maior respeito. Judas De saia. toquei
de leve nas costas dela, inefável! E saiu olhando pra trás, antes de eu
desmoronar no chão com um ataque de pressão alta, e disse sorrindo
magnificamente: até amanhã Humberto. meu pau exigia retratação. que esculacho. saí
andando em direção a lancha e, senti aquela colinha grudando na bermuda; na
lancha o Dimas olhou pra minha cara de desgosto e ódio e disse: qual é coroa? não
respondi nada e fiz uma cara de: amanhã tem mais.. ,liga esta porra aí e
vaõbora. o mar e toda aquela paisagem de Angra pra Ilha Grande numa voadeira Fumando
uma bomba me deixa relaxado e Zen, mas meu pau exige retratação. Que gostosa
esta Claúdia. Clovis de Carvalho
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
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