segunda-feira, 29 de setembro de 2014

CLAÚDIA

Putaquiupariu! Três da tarde e eu aqui sentado esperando meu tempo se esgotar. tempo de olhar a vida como as velas destes barcos à minha frente; estacionados, vazios e com fedor de peixe. cadê o Dimas? três e quinze. três e dezessete! chega!! Minha paciência não pode vazão aos ensinamentos de Confúcio. fodase Confúncio! começo a caminhar no Sentido Centro Comercial de Angra dos Reis; cidade com história legal, não vou contar não; vai ler para saber! As ruas são estreitas e de paralelepípedos frios como meu sangue que desfila suave nas minhas veias finas e cansadas. tomar café num boteco é outra parada. volto Pra escadaria da Igreja. cadê o filhodaputa do Dimas? bom, vamos es-perar. minha vida toda é uma fila que não anda. por que não posso esperar mais uns quinze minutos? três e meia.. filhodaputa. três e meia. num repente começo a olhar a rua que desce da lateral esquerda da Igreja; Tem um colégio ali; mas com cara de convento. que porra é esta? começo a olhar e ver a paisagem exuberante que escorre do Portão do colégio; pivetas grandes, bem grandes mesmo naquele uniforme de saias azul-marinho de dobrinhas, meias brancas e camisas brancas. caralho, uma mais gostosa que a outra. dane-se o Dimas. levanto e dou uma ajeitada na bermuda multicor revejo meus pés imundos igual a minha vida e; saio na direção da porta do colégio. vou contra o fluxo e, passando pelas colegiais meu pau começa a ficar meio duro; será que é esta roupa que instiga meu subconsciente de adolescente de punheteiro com os catecismos do Zéfiro. paro no boteco. café.. e fico como aqueles urubus velhos que perderam o comando do grupo e; ficam ali pairando no ar sobre a carniça; enquanto, os mais jovens e fortes despedaçam o cadáver e o devoram. começo caminhar de volta pra escadaria e, vou passando por elas no meio da rua; esbarro aqui; desculpe meu bem. esbarro ali; perdão, minha linda.na escadaria fico sentado de costas pra casa de Deus, quem sabe ele assim não vê o que estou fazendo. olhando o emaranhado de barcos à minha frente todos naquela dança que vem coisa poraí; ou é só barcos grandes desembarcando ou embarcando Criando aqueles saculejos e, os barcos ancorados ao lado uns dos outros, se tocam como um ranger de dentes.. . oi moço, esta voz aveludada que jamais vou esquecer tirou-me do meu devaneio e, Continuou falando; ..você pode olhar isto—e mostrou seus dois livros e um caderno e uma mochila—aqui pra mim, que vou ali do outro lado da pista pegar uma lata de óleo no posto? Rapaz! Deus existe. ah. se existe. depois, fiquei sabendo que tinha quase vinte; me vendo sentado ali com cara de pastel; veio me inquirir se poderia deixar suas coisas—dois livros e um caderno e sua mochila—sobre meus olhares, enquanto iria buscar uma lata de óleo vazia no posto pra fazer seu trabalho de artes...e, pode deixar que olho e, olhei mesmo quando ela curvou-se pra colocar seus pertences ao lado de meus pés descalços e imundos e, vi aqueles peitinhos durinhos de biquinhos foscos igual vidro leitoso; depositou tudo aos meus pés e começou à atravessar a pista; Meu Deus! .senti o balanço daquelas nádegas duríssimas no mesmo ritmo dos barcos ancorados a minha frente. que coisa enlouquecedora!. devia ser proibido mulheres perfeitas de sainhas atravessar as ruas e pistas correndo: que espetáculo revelador; a sincronia da beleza; o ápice do tesão é uma deliciosa atravessando a rua dando aquela corridinha. Aqueles pulinhos... Meu Deus! fiquei ali, estático, olhando ela pedir a lata de óleo pro cara do posto; que também olhou com carinho pros seus peitinhos durinhos como ovos cozidos. branquinhos branquinhos. pronto! voltou e começou a recolher suas coisas ao lado dos meus pés.., meu instinto de tarado entra em ação; retiro meus óculos escuros e, como se o desdém fosse obra minha, mando: vai fazer o que com esta lata? Olho as pernas dela no maior desbaratino e; vejo seus pelinhos clarinhos numa fieira joelho acima e, as pernas tão lisinhas que dá vontade de chorar pôr não poder meter a mãos; meu pau exige que eu faça um inquérito e, segure ela ali ao meu lado. Ah. a lata de óleo; e que vou fazer? ou melhor tentar fazer uma luminária, pra ver se pego uma nota com a Professora de Artes, que é um pé no saco. e pediu que a gente use coisas do lixo. bom, meu pau exige que me pronuncie: eu trabalho com lixo, sabe, é só olhar pra mim e vai perceber que sou parte deste lixo humano que trafêga com a vida cheia de avessos e a merda toda. Olha você pega a lata e, peguei a lata da mão dela sem nenhuma resistência e, claro. toquei de leve na seda que é a pele dela; como é teu nome: Cláudia!. Humberto, a disposição...meu pau exige que eu seja gentil, educado e canalha o suficiente pra não deixar esta delicia cremosa ir embora sem mais nem menos...olha, você pega um abri-dor de latas e retira esta tampa aqui e, ela roça aquele bracinho de maravilhoso de ninfa; no meu braço gasto, fino e queimado do sol e; Aí você pega um martelo e bate estas rebarbas que vão ficar aqui, e; tocamos pontinhas de dedos e; aí coroa, sabe; quando você tá doidão beijando aquela putinha perto da rodoviária e, depois.. descobre que não era putinha, era um quase ela.. porra: foi assim que olhei pra cara do Dimas; que chegou e viu a cena ali na cara dele e não acreditou. Tá tudo certo?? perguntei. e pelo meu tom de voz sentiu que tinha que ir me esperar na lancha. este moleque trabalha comigo, fui falando e olhando nos olhos dela, enquanto o Dimas seguia triste e sem ação pra lancha. cinco minutos e já vou Falo como se mandasse qualquer porra; ele olha pra trás, pra confirmar a cena que vê na escadaria e diz querendo ser cúmplice: Peguei cinquenta dubom! arremato para o nosso bom entendimento: Legal, vamos arrebentar no caminho de volta. no mar. Ela ,olha pra minha cara e sei que entende do que falo, ri cúmplice, e aguarda minha explicação; você mora onde ela pergunta num repente; na Ilha Grande. é mesmo? é sim. nossa Que legal, eu sou nova aqui em Angra e não conheço, ainda, a Ilha Grande. pronto tá feito a mandinga; meu pau exige que eu seja educa-do, cortês, anfitrião e tarado. Olha, Cláudia, sabe o que você pode fazer: Meus olhos vão direito pros seios duríssimos dela sem sutiã. Ah! uniforme enlouquecedor. você pode pegar a balsa na sexta de manhã. amanhã. e ir lá pra Ilha ,assim; eu te mostro(meu pau duro, meu pau duro)meus trabalhos e te ensino você fazer esta luminária e; olha ( em que anfitrião espetacular me transformo) na Casa que moro tem lugar pra ficar.. que naturalidade. Canalha.. Ela fica encantada com meu exagero de desprendimento e solicitude. Ah. eu vou sim; perco o sentido da razão e fico imaginado esta deliciosa em Trajes sumários andando dentro de casa. Meus Deus! E, continuo minhas explanações sobre como a lata deve ser aberta, furada e a porra toda e, tocando suavemente naquele bracinho imaculado. ficamos em pé; antes dou aquela caidinha de cabeça pra frente tão manjada que não pensei em nada, só vi: aquela fieirinha de pelinhos clarinhos subindo de suas coxas carnudas seguindo pra sua (imagino) bucetinha maravilhosa; e vejo o que realmente é aquela piveta: Capa de Revista!! Volto ao normal tentando ser o mais casual possível, tá feito então; amanhã fico lá no cais te esperando na balsa da manhã. Ela pega a lata de óleo de minha mão com uma suave delicadeza que fico trêmulo e, me olha com aquele olhar de demônio que sabe que acende um inferno por onde passa; meu olhar de triunfo é o mesmo de César ao saber que vai tascar a Cleópatra.. você disse que Tem lugar pra fica na sua casa? nem respondo, meneio a cabeça como se o elmo estivesse meio apertado e, com o sorriso dos canalhas estampado na cara quando sabe que todas as exigências do teu pau serão Cumpridas. Vou levar meu namorado! Você não tá ligado, na dor que é um mastro virar no meio de um sudoeste e pegar na sua testa; foi mais ou menos isto que senti. gaguejei, sorri, e disse que sim e; que estava tudo certo. pode levar ele(que afogo este filhodaputa no rasinho) que tem lugar. Ela vem assim como aquela rajada de vento que muda tua direção, mesmo você segurando o leme com as duas mãos e os joelhos e, manda um beijo na minha cara com o maior respeito. Judas De saia. toquei de leve nas costas dela, inefável! E saiu olhando pra trás, antes de eu desmoronar no chão com um ataque de pressão alta, e disse sorrindo magnificamente: até amanhã Humberto. meu pau exigia retratação. que esculacho. saí andando em direção a lancha e, senti aquela colinha grudando na bermuda; na lancha o Dimas olhou pra minha cara de desgosto e ódio e disse: qual é coroa? não respondi nada e fiz uma cara de: amanhã tem mais.. ,liga esta porra aí e vaõbora. o mar e toda aquela paisagem de Angra pra Ilha Grande numa voadeira Fumando uma bomba me deixa relaxado e Zen, mas meu pau exige retratação. Que gostosa esta Claúdia. Clovis de Carvalho

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